O pioneirismo de Antônio Teixeira Rodrigues, conhecido como Conde de Santa Marinha, foi além do setor industrial, uma vez que o Conde foi o primeiro a construir uma residência fora da área urbana, compreendida dentro do perímetro da Av. do Contorno.
Abílio Barreto transcreve uma matéria publicada pelo jornal "A Capital", onde é feita uma completa descrição do Empório Industrial, podendo-se avaliar sua grandiosidade para a época, quando Belo Horizonte começava a ser construída:
"O Conde de Santa Marinha é um dos poucos capitalistas que têm vindo trazer à nossa cidade o eficaz concurso da fortuna e da atividade. A quantiosa soma por ele empregada na instalação da usina em uma localidade como esta, onde, no geral, apenas o minguado pecúlio do pobre vai agindo tant bien qui mal, significa que o operoso industrial tem plena convicção de que Belo Horizonte há de ser um centro de atividade, tanto moral como material. O que o Sr. Conde de Santa Marinha há feito nesta cidade, iniciando nela diversas indústrias, é uma obra meritória, cujo realce é imenso, pois a bem dizer, nulos têm sido os interesses pecuniários para o proprietário da usina.
O Sr. Conde criou aqui uma verdadeira escola de trabalho. A usina funciona num vasto prédio, próximo à estação da estrada de ferro. No imenso salão, logo à entrada, está instalada a serraria, servida pelas melhores máquinas: serras circulares, serras simples, tornos, plaina a vapor. À esquerda fica a oficina de cantaria, na qual vimos colunas e capitéis trabalhados com muita perícia. Passamos em seguida a outro compartimento onde está a fundição, também servida por excelente maquinismo. Aí vimos funcionar a máquina para tornear parafusos, podendo dar produção diária de mil parafusos de todos os tamanhos. Nessa seção trabalha a ferraria e, no extremo, a carpintaria, achando-se em construção o pavilhão para essas oficinas. A 4ª seção é a de moinhos para cereais, para torrefação de café e máquina de cortar capim. Passa-se daí para o almoxarifado da usina. Já aí estão os aparelhos para iluminação à luz elétrica, cuja montagem deve começar breve, e será para 40 lâmpadas. A força locomóvel, de fabricação inglesa, é de 30 cavalos. Na seção de carpintaria vai ser montada uma outra. É grande o depósito de madeira, quer nacionais, quer estrangeiras. A usina já recebeu a cábrea para suspender a cantaria da frente do Palácio Presidencial. Trabalham 150 operários, todos observando a maior disciplina e atenção ao seu serviço. Próximo está a construção do palacete do Sr. Conde de Santa Marinha."
Rematando estas merecidas notas sobre a notável individualidade daquele grande industrial, a quem Belo Horizonte muito ficou a dever, não ocultaremos que ele, depois de prestar à construção da cidade e à nascente indústria desta os maiores benefícios, empregando aqui toda a sua considerável fortuna, terminou por ficar arruinado financeiramente. Entretanto, não nos costa que haja em Belo Horizonte uma rua com o seu nome! Ficou esquecido como outros beneméritos que aparecem neste livro.